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Advogado diz que pivô de briga por traição ´amava` executivo da Yoki

Jurídicas 19/06/2012
Advogado diz que pivô de briga por traição ´amava` executivo da Yoki

 

O advogado da amante do empresário Marcos Matsunaga, Roberto Parentone, disse nesta terça-feira (19) que sua cliente teme por sua “integridade física”. A mulher de 23 anos é considerada pela polícia pivô da briga entre Marcos e sua mulher, Elize Matsunaga, que motivou a morte do empresário. Elize foi presa no começo de junho e confessou ter atirado no marido e esquartejado seu corpo. Segundo a defesa da amante, ela havia alertado Marcos sobre o risco de serem atacados por Elize.
 
De acordo com Parentone, sua cliente, que se diz modelo, tinha um relacionamento mais de um ano com o empresário. “Ela o amava”, afirmou. Segundo o advogado, a mulher não era apenas uma amante. “O casamento [com Elize] havia terminado antes mesmo de ele conhecer minha cliente. O relacionamento da testemunha N. [como o advogado se refere à sua cliente] com Marcos está longe de ser apenas o de uma amante.”
 
O Ministério Público Estadual de São Paulo denunciou nesta terça-feira (19) Elize à Justiça pelo assassinato de Marcos. Ela foi acusada formalmente por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel, e ocultação de cadáver. Junto com a denúncia, o promotor José Carlos Cosenzo, afirmou ao G1 que também pediu a conversão da prisão temporária de Elize em preventiva.
 
Apesar de Elize já estar presa, a jovem teme que pessoas ligadas à suspeita tentem lhe fazer algum mal. Segundo o advogado, Matsunaga também tinha medo que sua amante e a filha que tem com Elize sofressem represálias. "Ele comprou o carro para ela e mandou blindar com o melhor tipo de blindagem."
 
O advogado acrescentou que N. deverá prestar novo depoimento à polícia para corrigir algumas informações dadas anteriormente. Segundo ele, a mulher estava muito abalada psicologicamente no primeiro depoimento, pois havia acabado de saber pela imprensa que Marcos havia morrido. "Comparamos o que ela nos contou com o depoimento dela na polícia e vimos que está em desacordo."
 
Entre as diferenças apontadas, por exemplo, está a maneira como se conheceram (no depoimento, ela disse que Matsunaga entrou em contato via um site de classificados de acompanhantes, mas para os defensores contou outra versão, não divulgada ainda para a imprensa), desde quando se viam (meses antes do informado inicialmente) e quanto recebeu do empresário (segundo o advogado, ela ganhou R$ 27 mil uma vez apenas, e não durante vários meses).
 
Esse dinheiro seria usado na compra de móveis para um apartamento onde planejavam morar, ainda de acordo com o defensor. “Ele estava para se separar. Só não o fez por causa da transação da empresa, de situações que poderiam atrapalhar o negócio”, disse Parentone, referindo-se à venda da Yoki à companhia norte-americana de alimentos General Mills. A negociação bilionária foi acertada em 24 de maio, dia em que o executivo ainda estava desaparecido.
 
Questionado sobre a possibilidade de a jovem pedir parte da herança para a família, o advogado disse que sua cliente não comentou nada sobre isso. Ele acrescentou, porém, que não descarta que ela entre com uma ação. “Não descarto nada. Não posso descartar porque não sou dono da verdade. Existe qualquer possibilidade. Na minha opinião, ela tem direito.” O advogado disse ainda que ela atualmente trabalha modelo. Ele admitiu, porém, que a jovem chegou a trabalhar como garota de programa, mas antes de conhecer Matsunaga.
 
Investigações
 
O Ministério Público de São Paulodeve oferecer denúncia contra Elize nesta terça-feira (19). Para o promotor José Carlos Consenzo, ela cometeu o crime porque quis se vingar das traições do marido e da forma como foi tratada por Marcos Matsunaga.
 
Presa na Cadeia de Itapevi, na Grande São Paulo, Elize Matsunaga ocupa uma cela sozinha na penitenciária. Sua rotina é solitária e não inclui televisão, segundo seus advogados. Ela passa o tempo lendo livros e revistas, levados pelos defensores. "[Ela fica] muito chorosa, sempre pergunta da filha. É uma preocupação de mãe", diz Luciano Santoro, advogado de Elize. A menina de um ano está com uma tia no apartamento onde o diretor-executivo da Yoki, Marcos Matsunaga, foi morto e esquartejado. Elize confessou o crime no dia 19 de maio.
 
O prazo da prisão temporária de Elize termina na próxima quinta-feira, dia 21. Mas o Ministério Público vai pedir a detenção preventiva. Se a Justiça aceitar, Elize pode ficar presa até o julgamento.
 
"Não é um crime passional, em hipótese alguma. Claramente [foi um crime] de vingança, com motivação torpe", afirma Consenzo. O promotor passou o fim de semana estudando o inquérito policial para determinar que tipos de crimes podem ser enquadrados no caso Elize.
 
Consenzo concluiu que vai acusá-la por homicídio triplamente qualificado, com motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa para a vítima. Para ele, a pena "não pode ser pequena".
 
"A pena que eu vou buscar para ela [Elize] é uma que realmente seja digna do status do crime que ela cometeu, no mínimo uns 25 anos", diz Consenzo.
 
Para o promotor, a principal prova de que Elize agiu por vingança são os resultados dos exames dos legistas no corpo do executivo. A confissão de Elize contradiz o laudo do Instituto Médico Legal (IML) em dois pontos: a posição de Marcos no momento do tiro e o instante do esquartejamento.
 
Elize contou que estava sentada quando começou a discutir com o marido, e que os dois se levantaram. Marcos teria humilhado a mulher e dado um tapa no rosto dela. Após isso, Elize pegou a arma e atirou, segundo sua versão.
 
Mas o médico-legista Jorge Pereira de Oliveira, que analisou o corpo do diretor-executivo da Yoki, concluiu que Marcos levou um tiro de cima para baixo. Pela trajetória da bala, é pouco provável que a vítima estivesse de pé, aponta o laudo do médico.
 
"É mais provável que ele [Marcos] estivesse sentado, ou ajoelhado, ou deitado, partindo do princípio que ela [Elize] é mais baixa do que a vítima", afirma Henrique Carvano Soares, professor de medicina legal da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de SP (Unifesp).
 
O tiro, ainda segundo o laudo, provocou queimadura no rosto de Marcos, o que significa que foi à queima-roupa, a menos de 12 centímetros de distância.
 
Para o advogado da família do diretor-executivo da Yoki, Luiz Flávio Borges D'Urso, a proximidade da arma e a direção do tiro mostram que Elize pegou o marido de surpresa, e não em uma discussão.
 
"A violenta emoção, na minha opinião, está completamente descartada. Ela busca esta arma, ela o surpreende. Ele era faixa-preta em luta marcial, de compleição física maior do que ela. Ela é fraca, menor que ele, se ele quisesse poderia tentar desarmá-la. E ele não fez nada disso", disse D'Urso.
 
Esquartejamento
 
A contradição a respeito do esquartejamento ainda não está esclarecida. Elize contou que, após ver o marido morto, arrastou o corpo até o quarto de hóspedes e esperou por cerca de dez horas antes de começar a cortá-lo. No entanto, segundo o legista, Marcos estava com vida quando Elize principiou a esquartejá-lo.
 
Havia sangue no pulmão do executivo, o que só ocorreria se ele estivesse vivo, de acordo com o legista. "A entrada de sangue em vias aéreas é movimento ativo, quer dizer que ele tem que estar respirando", afirmou Oliveira.
 
A morte foi causada por traumatismo na cabeça causado pela bala, associado ao sufocamento por sangue devido à decapitação, afirma o laudo do corpo emitido pelo legista.
 
Elize discordou do laudo e reiterou sua versão sobre os fatos, afirma o advogado dela. "A gente não deve fazer a análise do conjunto baseado em apenas um único laudo. Ao lado desse eu preciso de outros, como exame do local e reprodução simulada", afirmou Santoro.
 
Ainda faltam duas provas técnicas: a análise do local do crime e a reconstituição do que aconteceu dentro do apartamento do casal. A defesa e a acusação já estão preparando as estratégias para um futuro julgamento.
 
O ponto central dos debates jurídicos deverá ser se Elize Matsunaga planejou friamente a morte do marido ou se agiu por forte emoção.
 
O poder de convencimento das partes vai determinar o tamanho da pena que a suspeita pode pegar pelo crime. A previsão é de uma sentença provável de seis a trinta anos de prisão, caso seja condenada.
 
Fonte: G1

Fonte: G1

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