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Defesa de Demóstenes pode ir à Justiça para periciar áudios

Jurídicas 24/05/2012
Defesa de Demóstenes pode ir à Justiça para periciar áudios

 

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, responsável pela defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), insiste na existência de irregularidades nos áudios, gravados durante operações policiais, que comprometem o senador. Ele não descartou a possibilidade de recorrer ao Judiciário para que seu pedido de perícia nas gravações seja realizado. As informações são da Agência Senado.
 
Demóstenes enfrenta um processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado por supostas ligações com Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal (PF) acusado de liderar uma organização responsável por corrupção ativa, fraudes em licitações e outros crimes.
 
"Contratamos um perito particular, que identificou problemas como acréscimos e supressões de diálogos. Todos sabemos que o julgamento neste conselho é político, mas existe o direito constitucional à ampla defesa que precisa ser respeitado. Vou conversar com o senador nos próximos dias. Pode ser que ele não queira este tipo de enfrentamento, levando o caso ao Judiciário", disse o advogado.
 
Indagado sobre a identidade do perito, o advogado preferiu não revelar o nome e se limitou a dizer que se trata de "um excelente profissional".
 
Antônio Carlos de Almeida Castro participou na tarde desta quarta-feira da breve reunião do Conselho de Ética para dar ciência aos parlamentares da ausência de Carlinhos Cachoeira, que prestaria depoimento como testemunha. O contraventor havia sido indicado pela defesa do senador Demóstenes e também pelo Psol. Cachoeira justificou oficialmente sua ausência, alegando que suas declarações poderiam comprometer sua situação no processo criminal em que réu na 11ª Vara Federal de Goiânia.
 
" entendimento firmado de que não temos poder coercitivo para trazer uma testemunha aqui. Vamos prosseguir os trabalhos normalmente, e o próximo a ser ouvido será o senador Demóstenes Torres, no próximo dia 29", explicou o presidente do Conselho de Ética, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).
 
Em relação à perícia, o relator Humberto Costa (PT-PE) informou que está analisando o pedido, mas ressaltou que o relatório preliminar recomendando a abertura de processo administrativo contra Demóstenes Torres não se baseou nos arquivos de áudio.
 
"Vou me manifestar sobre isso ao longo do processo de instrução. Não temos os rigores do processo penal. À frente vou me posicionar sobre isso", afirmou. Humberto Costa voltou a confirmar que até o fim de junho estará com seu relatório final pronto.
 
Carlinhos Cachoeira
 
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
 
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
 
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
 
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
 
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
 
Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.
 
Fonte: Terra

Fonte: Terra

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